Entrevista: Igor Dadona

Oi, pessoal! Carnaval já passou, então vamos que vamos nesse 2013, né? E para “começarmos” o ano bem, hoje eu trago uma entrevista, oba!

O entrevistado é uma pessoa muito, muito querida: Igor Dadona. Quem estudou na Anhembi há uns anos atrás com certeza já ouviu falar nele! O Igor estudou Design de Moda e eu me lembro de todo final de semestre um monte de gente se juntar na sala que ele ia apresentar seus trabalhos para ver qual era a criação da vez! O Igor é um estilista talentosíssimo e tem uma marca própria homônima, razão pela qual eu o convidei para essa entrevista. A marca está bem no começo, o Igor não tem um super investidor ou uma super equipe gigantesca, mas isso não é obstáculo nenhum pra ele deixar de seguir o sonho dele! Fiz algumas perguntas para ele contar um pouco como foram seus primeiros passos e como é seu dia a dia  no comando da marca. Ele é uma ótima inspiração para qualquer um começar já a realizar seus sonhos – e sem desculpas de que não tem tudo o que precisa!

Igor Dadona

Job-à-Porter: Porque escolheu estudar moda, mais especificamente Design?

Igor Dadona: Ter a chance de mostrar minha visão sobre uma fase que estou vivendo, sobre o que está acontecendo no mundo, mostrar que talvez bonito mesmo não é  aquilo que é idealizado num comercial de margarina, sempre me chamou atenção. Me expresso por desenhos desde muito pequeno, com o passar do tempo percebi que poderia mostrar esse meu universo interior através da moda, daquilo que outra pessoa usaria por talvez estar se identificando e percebendo com a subjetividade dela, a minha. Isso me fascina.

JP: Você fez algum estágio ou trabalhou na área antes de abrir sua própria marca?

ID: Ainda na faculdade, em 2008, fui convidado pra trabalhar nos desfiles do estilista Mario Queiroz, onde comecei a entender melhor como realmente “acontecia” a moda. Depois disso trabalhei para o site Moda Brasil cobrindo a SPFW e a Casa de criadores, fiz o mesmo tipo de trabalho jornalístico com o editor de moda masculina Lula Rodrigues por duas temporadas. Depois trabalhei 1 ano com o Stylist Raphael Mendonça, que assina editoriais de revistas como Harper’s Bazaar e Vogue de todo o mundo. Aprendi muito por todos esses lugares que passei, desde como escrever um texto jornalístico, até como produzir uma boa foto para uma campanha, afinal toda experiência só acrescenta quando você sabe retirar o melhor de cada uma.

JP: Conte um pouco sobre o conceito da sua marca.

ID: Minha marca imprime muito como enxergo o mundo e as pessoas, é para quem não tem medo de expressar o que sente e como é, assim como eu sou. O universo do fetiche e do rock’nroll sempre estão presentes em minhas coleções, junto com referências ultra pessoais que coloco em cada peça. Por exemplo, na coleção de Inverno 2013 a referência central foram uns pesadelos que eu tinha quando criança. Decido compartilhar esse meu “mundo” muitas vezes obscuro, mas com uma beleza ímpar com meus clientes.

JP: Como é um dia seu de trabalho (do design, à produção, divulgação, venda…)?

ID: Eu costumo criar muito rápido uma coleção, acho que a parte mais demorada é a de pesquisa, decido uma referencia, mergulho nela, vou pesquisar tecidos, aviamentos, coisas que possam representar o que quero passar. Depois disso desenho toda coleção em uns dois, três dias. Tenho uma modelista que também é minha costureira fiel, chama-se Ivani, desenvolvemos as peças juntos, e ela me entende como ninguém! Haha Não tenho muitos problemas no desenvolvimento. Divulgo minhas peças na fanpage e no meu perfil pessoal de redes sociais, mas em breve lançarei meu site. As vendas são feitas pelos mesmos locais atualmente.

JP: Você tem pessoas que te ajudam?

ID: Sou apenas eu e minha costureira.

JP: Como você se organiza para fazer tudo?

ID: Gosto de aproveitar que a marca está no inicio para cuidar de tudo sozinho, assim quando um dia eu precisar de uma grande equipe, manterei esse nível de controle.

JP: Quais cursos (de moda, desenho, programas de computador, administração…) foram essenciais para sua carreira?

ID: Eu ODEIO computador  quando se trata de criar, desenhar uma coleção, faço exatamente tudo a mão. Acho que fica muito artificial, uma peça criada dentro de um programa, não acredito em peças feitas dessa forma (essa é uma opinião exclusivamente minha, não quero desmerecer nenhum profissional) é apenas meu método de trabalho. Mas para alguns outros casos, como banners, convites, etc o uso de um photoshop por exemplo pode ajudar, mas não sou um expert em máquinas!

JP: Você faz algum tipo de planejamento para o futuro da marca?

ID: Sim, planejo em breve vender em multimarcas físicas e depois abrir minha própria loja. Talvez a primeira seja fora do Brasil, ainda está tudo engatinhando, vamos ver…hahaha

JP: Alguma dica para alguém que também quer começar sua marca própria?

ID: A dica é: crie com seus sentimentos, não com o que o mercado pede. Acredito que por isso a moda parece tão saturada. As pessoas precisam sentir e sentir-se mais. 

Igor,  o Job-à-Porter te deseja MUITO sucesso na sua caminhada!

E muito obrigada pela entrevista!